Texto de Glauebr Rocha acerca do filme Di, que fez em homenagem a seu amigo Di Cavalcanti após a sua morte, e que está atualmetne proibido pela família do pintor. Ilustra muito bem o porquê de nossa festa de morte!
Retirado do site www.tempoglauber.com.br
"A morte é um tema festivo pros mexicanos, e qualquer protestante essencialista como eu não a considera tragedya . . Em Terra em Transe o poeta Paulo Martins recitava que convivemos com a morte...etc... dentro dela a carne se devora - e o cangaceiro Corisco, em Deus e o Diabo na Terra do Sol, morre profetizando a ressurreição do sertão no mar que vira sertão que vira mar...
Matei muitos personagens? Eles morreram por conta própria, engendrados e sacrificados por suas próprias contradições: cada massacre dialético que enceno e monto se autodefine na síntese fílmica, e do expurgo sobram as metáforas vitais.
As armas de fogo, facas e lanças são os objetos mortais usados por meus personagens, mas a rainha Soledad bebe simbolicamente veneno no final de Cabeças Cortadas e os mercenários de O Leão de Sete Cabeças são enforcados. Em Câncer, Antônio Pitanga estrangula Hugo Carvana, assim como Carvana se suicida em Terra em Transe. Em Claro foi usado um canhão para matar um mercenário no Vietnam e dois personagens morrem afogados em Barravento, além das multidões incalculáveis massacradas por Sebastião, Corisco, Diaz, etc.
Filmar meu amigo Di morto é um ato de humor modernista-surrealista que se permite entre artistas renascentes: Fênix/Di nunca morreu. No caso o filme é uma celebração que liberta o morto de sua hipócrita-trágica condição. A Festa, o Quarup - a ressurreição que transcende a burocracia do cemitério. Por que enterrar as pessoas com lágrimas e flores comerciais? Meu filme, cujo título, dado por Alex Viany, é Di-Glauber, expõe duas fases do ritual: o velório no Museu de Arte Moderna e o sepultamento no Cemitério São João Batista. É assim que sepultamos nossos mortos.
Chocado pela tristeza de um ato que deveria ser festivo em todos os casos (e sobretudo no caso de um gênio popular como Emiliano di Cavalcanti) projetei o Ritual Alternativo; Meu Funeral Poético, como Di gostaria que fosse, lui. . . o símbolo da Vida...
No campo metafórico transpsicanalítico materializo a vitória de São Jorge sobre o Dragão. E, no caso de uma produção independente, por falta de tempo e dinheiro, e dada a urgência do trabalho, eu interpreto São Jorge (desdobrado em Joel Barcelos e Antônio Pitanga) e Di-O Dragão. Mas curiosamente Eu Sou Orfeu Negro (Pitanga) e Marina Montini, dublemente Eurídice (musa de Di), é a Morte. Meus flash-backs são meu espelho e o espelho ocupa a segunda parte do filme, inspirado pelo Reflexos do Baile, de Antônio Callado, e Mayra, de Darcy Ribeiro. Celebrando Di recupero o seu cadáver, e o filme, que não é didático, contribui para perpetuar a mensagem do Grande Pintor e do Grande Pajé Tupan Ará, Babaraúna Ponta-de-Lança Africano, Glória da Raça Brazyleira!
A descoberta poética do final do século será a materialização da Eternidade."
Di (Das) Mortes, GlauberRocha, texto mimeografado, distribuído na sessão do filme em 11 de março de 1977 na Cinemateca do MAM.
Confira a programação a Festa de Morte de Glauber Rocha aqui:
http://www.dafomeaosonho.com.br/2011/08/se-nao-posso-dancar-nao-e-minha.html
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"Se não posso dançar, não é minha revolução"
Sem Linguagem revolucionária não há FESTA revolucionária!
Para celebrar a vida e a história desse grande cineasta, faremos uma festa!
Sim, uma festa.
Uma festa da morte. A morte como o evento final que na sua própria negação da vida, a ela dá sentido.Uma comemoração pagã-afro-latina, um dia dos mortos mexicano.
Uma dança, um voo sobre o caixão do poeta alado. Uma grande homenagem festiva para o grande cineasta baiano.Uma celebração da vida na morte, como o belíssimo filme que o próprio realizou para seu amigo Di Cavalcanti.
Contaremos com a presença de SEU ESTRELO E FUÁ DO TERREIRO (22 h), MÁXIMO MANSUR e ARSENAL DO GUETO, DJ CAROÇO (Música Brasileira) e uma Baiana do Acarajé.
O Coletivo Rodamoinho, o Coletivo Palavra e o Projeto Curtas nos Bairros (Planaltina de Goiás) farão projeções durante toda a festa.
"Se não posso dançar, não é minha revolução" Emma Goldman
Para celebrar a vida e a história desse grande cineasta, faremos uma festa!
Sim, uma festa.
Uma festa da morte. A morte como o evento final que na sua própria negação da vida, a ela dá sentido.Uma comemoração pagã-afro-latina, um dia dos mortos mexicano.
Uma dança, um voo sobre o caixão do poeta alado. Uma grande homenagem festiva para o grande cineasta baiano.Uma celebração da vida na morte, como o belíssimo filme que o próprio realizou para seu amigo Di Cavalcanti.
Contaremos com a presença de SEU ESTRELO E FUÁ DO TERREIRO (22 h), MÁXIMO MANSUR e ARSENAL DO GUETO, DJ CAROÇO (Música Brasileira) e uma Baiana do Acarajé.
O Coletivo Rodamoinho, o Coletivo Palavra e o Projeto Curtas nos Bairros (Planaltina de Goiás) farão projeções durante toda a festa.
"Se não posso dançar, não é minha revolução" Emma Goldman
Paloma Rocha e Ana Maria Magalhães
Estão confirmadíssimas para a noite de hoje as presenças de Paloma Rocha e Ana Maria Magalhães, a partir das 18h30, no memorial Darcy Ribeiro/UnB.
Paloma Rocha é filha de Glauber Rocha, e atualmente é presidente do Tempo Glauber. Como cineasta realizou o projeto de restauração dos filmes de Glauber Rocha, “projeto coleção Glauber Rocha”, no qual trabalhou também com Pizzini, co-diretor.
Joel Pizzini também foi seu parceiro em Anabazys, filme que recria a memória e o método de produção de A Idade da Terra, do seu pai. Premiado em Brasília e com passagens em festivais internacionais, foi lançado em março de 2009, mês e ano em que Glauber Rocha completaria 70 anos de idade.
Em entrevista na época do lançamento, Paloma declarou:
"Considero “Anabazys” uma experiência radical de reciclagem cinematográfica na medida em que editamos sobras de filmes esquecidos nos arquivos brasileiros, e recriamos com as imagens e voz de Glauber parte de nossa história política e cultural. A parceria com Pizzini foi fundamental para que eu mantivesse o distanciamento necessário para a releitura da última obra de meu pai, na qual participei como atriz e continuísta. Me libertei a cada fotograma recuperado" (Fonte: Portal Ibahia).
Já Ana Maria Magalhães é atriz e diretora. Antes de começar a dirigir, montou filmes de curta-metragem e foi assistente de montagem de longas. Como diretora realizou filmes exibidos no Brasil e na Europa. Amiga de Glauber Rocha, atuou em seu último filme, A Idade da Terra.
Como atriz, sua carreira começou aos 17 anos no cinema, no filme O Diabo Mora no Sangue, dirigido por Cecil Thiré, e em Garota de Ipanema, de Leon Hirszman, ambos de 1997.
Sua estreia como diretora foi em 1991, com Oswaldianas (1994)Em 2002, Ana Maria lançou o longa-metragem Lara, sobre a atriz Odete Lara. Em 2004, dirigiu Afonso Eduardo Reidy: saudades do futuro.
Como atriz, sua carreira começou aos 17 anos no cinema, no filme O Diabo Mora no Sangue, dirigido por Cecil Thiré, e em Garota de Ipanema, de Leon Hirszman, ambos de 1997.
Sua estreia como diretora foi em 1991, com Oswaldianas (1994)Em 2002, Ana Maria lançou o longa-metragem Lara, sobre a atriz Odete Lara. Em 2004, dirigiu Afonso Eduardo Reidy: saudades do futuro.
Abertura da retrospectiva com Paloma Rocha e Ana Maria Magalhães
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| Paloma Rocha. Foto Alexandre C. Mota |
A primeira atividade do projeto "Da fome ao sonho - Retrospectiva Glauber Rocha" vai ser amanhã, 19 de agosto de 2011, às 18h30 no Memorial Darcy Ribeiro - Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB).
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| Ana Maria Magalhães |
Na abertura, teremos a honra de contar com a cineasta Paloma Rocha, filha de Glauber Rocha, compondo a mesa "Glauber Rocha - Cineasta Brasileiro". Ana Maria Magalhães, atriz, diretora e cineasta, que atuou no filme "A Idade da Terra", também fará parte da mesa.
Em seguida, teremos a exibição do documentário "Rocha que Voa", de Eryk Rocha, sobre O exílio de Glauber, em Cuba, entre os anos de 1971 a 1972. Esse período, um dos menos conhecidos da vida do diretor, coincide com um período de grande euforia e discussão em torno do papel das artes na revolução social e política dos países da América Latina e do Terceiro Mundo.
"A verdade revolucionária está com as minorias" (Glauber Rocha)
Ceilândia é Região Administrativa mais populosa do Distrito Federal, com aproximadamente 600000 habitantes. E não possui nenhuma sala de cinema.
Cidade pulsante, repleta de manifestações culturais e artísticas, é também marginalizada. Não é centro, é “satélite”.
Cidade de mobilizações históricas, lutas políticas e conquistas. Cidade dos incansáveis. Cidade dos trabalhadores. Cidade do Povo.
Por acreditar na importância de Ceilândia enquanto ponto central para a cultura e história do Distrito Federal, a organização de “Da Fome ao Sonho – Retrospectiva Glauber Rocha” decidiu realizar a mostra de filmes e três mesas de debates na cidade.
O Coletivo Rodamoinho, em parceria com o Coletivo de Cinema em Ceilândia (CeiCine) e o Ponto de Cultura Avessa, promoverá, além da mostra de filmes e dos debates, apresentações de artistas locais e intervenções.
Para Glauber Rocha, a arte deve ser revolucionária, e a aproximação com a linguagem popular seria a maneira de possibilitar essa revolução. A realização do evento em Ceilândia vai ao encontro das ideias revolucionárias do cineasta.
Convidamos a todas e todos para participar, colaborar, divulgar nosso projeto.
Façamos arte. Façamos revolução.
O Povo na Tela!
Revestir a televisão e os cinemas brasileiros com a cara do povo. Esse era um ideal de Glauber Rocha. Pensando nisso, o coletivo rodamoinho foi para a rua, entrevistou os populares, e trouxe um pouco da voz daquele que legitima o Brasil para a tela. Confira, e distribua pela rede. Esse é o papel democratizador da cultura, do áudio e do vídeo. Retrospectiva Glauber Rocha, de 19 à 28 de Agosto
Rodamoinho e uma idéia
“Uma câmera na mão, uma idéia na cabeça”. Com essa breve sentença, um baiano de Vitória da Conquista enunciou o que viria a ser um novo cinema nacional. Um cinema que pensava a sociedade brasileira e a realidade do subdesenvolvimento. Um cinema brasileiro que, voltando-se para a realidade de seu povo, ganhou projeção e reconhecimento internacionais. Esse baiano se chama Glauber Rocha, e há exatamente 30 anos, no dia 22 de Agosto de 1981, ele deixou de vez essa terra. Como o próprio havia previsto, morreu aos 42 anos - o inverso da idade que tinha o “Poeta dos Escravos”, Castro Alves, quando da sua morte.
Sua vida foi uma indignação constante. Nunca conformado com a situação do país e do mundo, com tanta injustiça, tanta miséria. Nunca conformado com a situação do cinema, preso às amarras industriais, à formas estabelecidas. Inconformidade até com a própria obra, que reinventou a cada instante - jamais satisfeito com um resultado de sucesso.
Esse sentimento de revolta, essa pulsão revolucionária - presente a todo instante, inspira o Coletivo Rodamoinho a agir. E, 30 anos após a sua morte, nos voltamos para sua obra, mergulhamos nela, revendo idéias, conceitos e propostas – muitas até hoje inexploradas e inovadoras. Voltamos-nos a essa obra, no entanto, não apenas para relembrar algo que passou, mas como forma de pensar, refletir e agir sobre o hoje. Buscando no passado, referências para a transformação do presente.
Da Fome ao Sonho. Um Cineasta. Uma Retrospectiva. Muita Indignação. Transformação. Criatividade.
Da Fome ao Sonho. Um Cineasta. Uma Retrospectiva. Muita Indignação. Transformação. Criatividade.
Se (des)acomodem, tomem (saiam de) seus lugares, pois a sessão vai começar!
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